O Conselho Federal de Administração (CFA) anunciou a vencedora do Prêmio Ailema Pucú de Administração e Empreendedorismo Feminino, iniciativa que reconhece mulheres profissionais da Administração que se destacam pelo empreendedorismo e intraempreendedorismo no setor público, privado ou no terceiro setor, com ações de impacto social, econômico e institucional em diferentes regiões do país.
A vencedora da primeira edição foi Simone Bochi Dorneles, administradora com uma trajetória marcada pelo compromisso com o desenvolvimento regional, a educação, a sustentabilidade e o fortalecimento de mulheres em situação de vulnerabilidade social. Como reconhecimento, Simone recebeu o Troféu Ailema Pucú, certificado e a premiação de R$ 15 mil.
Formada em Administração pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) em 1985, aos 20 anos, Simone escolheu o curso inicialmente para dar continuidade aos negócios da família. No entanto, ainda durante a graduação, descobriu sua verdadeira vocação: a educação e a gestão de pessoas.
“Desde cedo percebi a importância da Administração para o desenvolvimento do país e das comunidades”, destaca.
Para Simone, a formação administrativa vai muito além da técnica. “Ela nos dá a capacidade de planejar, organizar, liderar e monitorar processos, mas também nos ensina a olhar para as pessoas com sensibilidade e respeito, independentemente da atividade que desenvolvem.”
Sua carreira acadêmica começou com atividades de pesquisa na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e passou pelo setor privado, com atuação na Varig, em São Paulo. A especialização em Gestão de Pessoas abriu caminho para o retorno ao interior do Rio Grande do Sul, onde iniciou uma trajetória sólida na URI, Campus Santiago. Foram 13 anos dedicados à docência e à gestão educacional, período em que liderou a escola de educação básica e criou o projeto URI Vida, voltado à sustentabilidade.
Ainda na URI, assumiu a coordenação do curso de Bacharelado em Administração, criou cursos de pós-graduação e coordenou, em 2003, um projeto de inclusão produtiva de mulheres, além de auxiliar na criação de uma associação de catadores e catadoras no município de Santiago.
Administração como instrumento de transformação social
Em 2008, Simone ingressou na carreira pública por meio de concurso no então CEFET São Vicente do Sul, hoje Instituto Federal Farroupilha. Na instituição, ocupou cargos estratégicos, como diretora de graduação, pós-graduação e pesquisa, além de desenvolver projetos voltados à educação de jovens agricultores e ao fortalecimento das comunidades locais.
Essa atuação sempre esteve alinhada a um propósito claro: usar a Administração como ferramenta de desenvolvimento regional e justiça social. “Sempre me envolvi em projetos e atividades que pudessem desenvolver a região em que atuo”, afirma.
Durante a pandemia, esse compromisso se fortaleceu ainda mais com a criação do projeto Pilares para a Conexão Sustentável, iniciativa que acabou sendo um dos grandes destaques de sua trajetória e que contribuiu decisivamente para o reconhecimento nacional.
Voltado à organização, estruturação e captação de recursos para associações de catadores e catadoras de materiais recicláveis, o projeto Pilares para a Conexão Sustentável atua diretamente com populações em vulnerabilidade social, em sua maioria, mulheres.
O trabalho começou com cinco associações e hoje já apoia oito associações em seis municípios diferentes, fortalecendo a sustentabilidade econômica, ambiental e institucional dessas organizações.
“Considero que minha trajetória como um todo foi premiada, mas reconheço que o projeto Pilares chama atenção por unir sustentabilidade e impacto social, especialmente junto a mulheres”, explica Simone.
A participação no Prêmio Ailema Pucú surgiu de forma simples: o edital chegou por WhatsApp, enviado por uma amiga. “Quando li, pensei que minha atuação poderia corresponder aos aspectos apresentados. Resolvi enviar, sem imaginar que seria premiada. Queria compartilhar minha trajetória, meus projetos, talvez inspirar outras mulheres”, relembra.
Receber um prêmio que leva o nome de Ailema Pucú, referência histórica feminina na Administração, teve um significado especial. “Foi uma grande honra. Dona Ailema foi uma grande mulher. Essa iniciativa do CFA é louvável, pois valoriza mulheres que impactam a vida de outras mulheres e que são comprometidas com a nossa profissão.”
Para Simone, o reconhecimento também reforça a importância da luta por mais mulheres nos espaços de gestão. “Apesar de toda a trajetória do feminismo, ainda precisamos ampliar a participação feminina na gestão das organizações. O prêmio contribui para essa luta.”
Ela faz questão de dividir a conquista. “Esse prêmio não é só meu. Nenhuma mulher constrói uma trajetória sozinha. Sou profundamente grata a todas as mulheres que estiveram comigo ao longo do caminho.”
Ao reconhecer histórias como a de Simone Bochi Dorneles, o Prêmio Ailema Pucú cumpre seu papel de dar visibilidade a trajetórias que transformam realidades e inspiram novas lideranças femininas na Administração. Mais do que uma premiação, a iniciativa se consolida como um convite para que outras mulheres compartilhem suas histórias, projetos e impactos, fortalecendo a profissão e ampliando o protagonismo feminino em todo o país.
